quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Bebê de apartamento

O meu pequeno está sempre disposto para um passeio, seja ir ao parque, ao shopping ou à casa da vovó. É só chegarmos perto da porta e ele: "Quero ir também!", diz. "Mas filho, só vou trancar a porta." Talvez seja um efeito colateral de morarmos num apartamento pequenino.
Ontem, o convidei para um passeio e ele aceitou de pronto (é claro!). A minha ideia era só caminhar um pouco na companhia dele. Fomos andando entre as ruas e conversando de mãos dadas. "O que é isso mãe?", apontava para o chão. "É a rua, filho." (Conversa construtiva... tá, eu sei! Mas é divertido!)
Perguntei como estava a escola e ele disse legal. Então questionei por que ele dizia todos os dias que não queria ir para a escola. "Porque eu não quero" e "por que você não quer, meu filho?", insisti. "Porque eu não quero!". Depois de umas 3 vezes nesse círculo, ele disse: "Porque eu quero você e o papai!" (Tempo para comoção e dores de amor)
Então expliquei que o papai e a mamãe o amavam muito mas era necessário que ele fosse à escola e que nós estaríamos sempre com ele e tal. Ele entendeu. Mas, hoje, ainda disse que não queria ir à escola.
Ele foi caminhando e segurando a minha mão até que voltamos ao portão do prédio, sentamos por ali um pouquinho. Ele catou 2 pedrinhas, ficou com uma e me deu a outra convidando-me para plantarmos as "sementes" num buraco que tínhamos visto há pouco.
No fim, acho que, ao cair daquela noite, plantamos juntinhos uma semente de amor...

Sobre medo e outras coisas...

Eu sou muito medrosa. E são uns medos meio aleatórios diante de perigos reais ou não. Tinha medo de ser mãe, de não dar conta, de ser responsável por alguém, de ter medo... E, pensar nesses medos todos me causava mais medo ainda...
E a gravidez com seus altos picos hormonais aflorou esse sentimento. No dia que descobri a gravidez, fiquei com a respiração presa. E só alguns dias depois consegui liberar todas as emoções num choro compulsivo. Era o medo.
Quando o Rafael era pequeno eu não relaxava um só minuto... qualquer espirro perto dele era uma ameaça aterradora que deveria ser evitada a todo custo. Exagero! Neurose! Eu admito!
E, apesar de todo esse medo ou pânico, a maternidade me arrebatou e as delícias cotidianas de ser mãe mudaram muitos dos paradigmas que eu tinha e me conduzem para um mundo de experiências profundamente realizadoras (e desafiadoras também).
Eu continuo sendo medrosa, mas não quero colocar o Rafael numa bolha protetora. (Oi!? é eu queria, mas já sou outra mulher).
Não me educaram para ser mãe. Ao contrário, diziam-me, estude e arranje um bom emprego. Ok, isso é importante! (alguém tem que pagar as contas, né!). Mas ser mãe, ocupar-me da educação do Rafael, da constituição da personalidade dele, ensinar-lhe sobre a fé em Deus e, cotidianamente, "perder a vida" por ele é que tem me feito, de fato, ganhar a vida!


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Mamãe, eu quero você!!!

Quando o Rafael percebe que estou um pouco mais distraída ou ocupada, levanta os bracinhos e pula frenético dizendo: "Mamãe, quero você!!". Eu sempre me emociono com isso e digo que quero ele também, pego, abraço e beijo... Afinal, um dia ele vai crescer e não vai mais me querer assim, né!?
Quando era bebê e não sabia falar, ele fazia isso chorando. O choro era bem mais desesperador e eu nem sempre conseguia acalmá-lo ou acalentá-lo...
Toda mãe de recém-nascidos já escutou alguém dizer que não é bom pegar os filhos no colo de mais para não mimá-los, sobretudo, quando choram sem motivo aparente. Não sou radical, mas acho que podemos questionar isso. Quem não gosta e precisa ser mimado, acalentado, sobretudo, quando está inseguro e com medo!?
Eu penso que os filhos choram (além de fome, frio, fralda suja) porque sentem falta da mãe, porque o mundo é hostil e porque se sentem inseguros.
Gosto de observar os comportamentos do Rafael e tentar compreender a real necessidade que o choro e birras tentam manifestar. Não há um método.
Não julgo as mães que não querem pegar ao colo os filhos que choram muito, que temem deixá-los mimados ou mal acostumados. Sei que todas estamos tentando acertar e fazer as melhores escolhas para nossos filhos. E (é uma pena), mas nem sempre acertamos! É o amor por nossos filhos que nos vai dizendo e iluminando o caminho de ser mãe.
Para ajudar a refletir sobre essa questão, sugiro lerem a entrevista com o pediatra espanhol Carlos Gonzáles. Gostei muito!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

De volta ao trabalho II

Descobri que estava grávida um mês depois de ter passado no vestibular para a segunda graduação. Cursei o 1º semestre e alimentava a ingênua intenção de voltar à faculdade 6 meses após o nascimento dele. Nunca mais voltei e não me arrependo! Agora, a vida pede que eu me dedique a uma missão muito mais importante e para a qual não há substituto: educar um rapazinho de olhos enormes e vivos para que cresça se sentindo amado, e se torne um homem completo, digno, íntegro educado e que alcance o melhor para si e para os outros.
Eu li o depoimento da mãe Fabi Correia de como saiu do emprego para ficar mais tempo com o filho e me emocionei com a história dela e creio que é um dilema de muitas mulheres, atualmente. Trabalho 6h diárias e já é uma dor passar esse tempo fora.
Antes de ter filhos, pensamos uma série de coisas, mas quando eles nascem todos os nossos conceitos mudam e tudo que queremos é largar tudo, carreira, estudos e o que for para ficarmos mais tempo com eles nos dedicando a tarefa mais importante que podemos fazer: educá-los com amor e dedicação. E precisamos reaprender o quê mesmo que importa na vida. E descobrimos olhando o sorriso de nossos pequenos o quanto vale estar perto deles e correr atrás de dinheiro pra comprar coisas e depois batalhar muito para pagá-las não faz nenhum sentido mais.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

De volta ao trabalho

Filhos são como ter o coração fora de si... O primeiro dia que tive que deixar o Rafael chorando e ir trabalhar foi um combate! Saí de casa carregando muita culpa! Eu sabia que ele seria bem cuidado, e que logo dormiria. Mas, o que me entristecia era saber que não fui eu a acalmá-lo, não fui eu a suportar seu choro de dor, aquecendo-o em meu peito. É necessário fazer tantas coisas que me obrigam a deixá-lo aos cuidados de outros. Eu queria poder fazer todas as coisas e, ao mesmo tempo, ter meu filho em meus braços, juntinho de mim, como quando andávamos por aí unidos pelo cordão umbilical, enquanto ele estava dentro de mim. Mas agora, é como se tivesse o coração fora de mim (li recentemente isso num livro e achei a metáfora perfeita).
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