segunda-feira, 30 de junho de 2014

Adivinha o que é?



Eu contei neste post aqui que reduzi a quase 0 a quantidade de TV que o Rafael assiste. Um dos principais motivos é para que ele tenha tempo de tédio ou ocioso para que surja aí o ócio criativo. Eu quero que a infância dele seja recheada de lembranças de coisas que ele fez e a TV acaba por confina-la no sofá passivamente. E, pensando nestas coisas, dentre outros argumentos desfavoráveis, desliguei a TV.

Eu sabia que teria que substituir a TV por alguma outra coisa para ocupar o tempo dele. Então, no início eu sempre apresentava algumas atividades e tal. Mas com o tempo fui percebendo que eu não precisava ocupar o tempo dele, que o que ele precisava era justamente de tempo para criar, para criar ativo, para ser criativo.

A partir disso, pude perceber umas coisinhas muito legais. Sobrou mais tempo para estarmos juntos de verdade. E sobrou tempo para ele se entreter sozinho também. Ele não exige a minha presença sempre (embora ainda me demande muito). Então, eu posso lavar a louça enquanto ele se diverte sozinho. É como se ele já estivesse aprendendo a conviver melhor com o tédio sem que isso cause grandes transtornos disciplinares.

Ou ele participa do que estou fazendo, o que é sempre uma oportunidade para aprender a ter mais paciência, a ser mais conciliadora, a ser mais compreensiva com as limitações naturais de uma criança (o que me leva a ser mais compreensiva com as limitações dos outros). Quem é mãe por aí sabe do que estou falando!

Em um desses momentos, em que estava justamente lavando a louça, e o menino estava brincando livremente e sozinho, ele produziu a obra acima (que tive que fotografar e vir correndo registrar aqui no blog).

Mas o quê mermo que é isso!? É o pai dele gente. Não é óbvio!?

Como já somos adultos, não vamos entender mesmo, então vai aí a explicação:

A flauta e a lupa são os pés. A fita vermelha, o corpo. A baqueta e a lanterna, os braços. A fita amarela, a cabeça. A baqueta, a boca. E ainda tem duas missanguinhas que são os olhos (não dá pra ver na foto). Ceis acreditam que ele foi perguntar para o pai, qual era a cor dos olhos dele para escolher a cor das missangas?

E a bola, o nariz. O Nego achou que ele exagerou um pouquinho na proporção do nariz. kkkkkkkk

Esse criar ativo era justamente o que eu queria ver ele fazer. Tem coisa mais a cara de criança do que fazer arte?!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A vida: uma jornada rumo ao descontrole ou à fé

 


Na terça, tive o meu dia de luto. Perguntei mil por quês?! Fiquei em silêncio. Senti-me culpada, castigada. Chorei. Olhei para o Rafael e o amei ainda mais por ter nascido, por ser o meu filho vivo. Ele vomitou de madrugada e teve febre nesse dia... (Será que ele manifestou fisicamente o sofrimento que estava calado em mim?) Levei ele ao hospital e, por mais estranho que possa parecer, me diverti com ele. Curti estar ali com ele.

Ainda me sinto triste, mas agora já posso seguir em frente. Já posso continuar a jornada da vida, em especial, da maternidade. Que no meu caso inclui 1 filho vivo e dois abortos. Contei sobre eles aqui e aqui.

Eu sempre me senti desesperada em situações sobre as quais eu não tenho o controle. Essas situações sempre me paralisam. Mas os três filhos, cada um a seu jeito, tem me ensinado o quanto viver sem controle pode ser enriquecedor, transformador e salvador. Ter filhos (ou não ter, em alguns casos) é uma profunda experiência de descontrole. Não tive um parto normal, mas imagino que essa experiência faça a mulher perceber isso de forma mais imediata. Como tive cesárea, demorei um pouco mais para chegar a essa epifania.

Com o Rafael bebê, percebi logo nos primeiros meses que não tinha o controle.  Não havia um padrão de sono e de vigília, de fome e de saciedade, de calma e agitação. Todo dia era diferente. O único padrão era não ter absolutamente padrão nenhum. Quando o dia começava, não era possível prever os desafios daquele dia. Tudo era novidade. Às vezes, eu conseguia até sentar e ler, mas na grande maioria dos dias, eu mal conseguia ir ao banheiro. Era desesperador. Quanto mais eu tentava controlar as inúmeras variáveis da rotina de um recém-nascido e de uma recém-mãe, mais eu entrava em desespero com a absoluta incapacidade de alcançar o tão "seguro" controle.

Só quando comecei a aceitar não ter o controle, foi possível começar a relaxar. O que, em outras palavras, quer dizer confiar, ter fé (em Deus). E vieram os abortos. Duas experiências fortes de não ter controle. Vi os meus medos na minha frente, mas não quis controlá-los. Aceitei sentí-los. Não lutei contra as dores que me causavam. Permití-me não poder controlá-las. Permiti-me sentir a vida até quando é dor.

Essa é uma jornada interminável para mim. Nunca estarei completamente pronta. Sempre estarei a construir-me, num eterno vir a ser... e essa jornada iniciada em mim pela maternidade é o que tem me transformado em uma pessoa melhor.

Sinto-me mais forte hoje e mais fraca também. Mas forte por conhecer melhor as minhas fraquezas. Mais fraca por saber que elas existem. Mais forte pelo grande apoio dos amigos e da família. Mais fraca pela indiferença de alguns. Mais forte pela oração secreta de quem rezou por mim sem que eu soubesse. Mais forte pela parceria do Nego. Mais forte porque posso ser feliz até nas tempestades. Mais forte!

Obrigada a todos!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mãe de três: 2 no céu e 1 na Terra | Como tive o 2º aborto

Tudo aconteceu ontem e ainda não chorei. Quase um ano depois do primeiro aborto, eu engravidei outra vez. E, como da última vez, nem parecia real, nem parecia possível após mais de 6 meses sem ovular. Mas eu acreditei. (com a ajuda de dois testes de farmácia positivo e um BHCG de 1400).
Dessa vez, não foi como das últimas. Não houve alarde. Por decisão minha, ninguém soube da gravidez. Só eu, o Nego e o Rafael.
Eu esperava a amiga lá pelo dia 9/junho. Não veio. Tudo bem, essas coisas atrasam. Mas quando chegou a uns 10 dias de atraso já era de mais. Fiz os testes. Estava grávida.
Eu queria contar para todo mundo, mas resolvi esperar e ouvir o coraçãozinho primeiro, no ultrassom, que nem cheguei a ir. Eu precisava ouvir as batidas para compartilhar essa vida. Não queria ter que desdizer, como na última vez. Mas eu não achava que fosse precisar disso. Eu não achava que fosse perder um filho pela 2ª vez.
Mas no sábado (dia 21/junho) eu percebi uma borrinha na calcinha e umas cólicas um pouco mais chatas do que o normal. “Isso não é bom”, pensei. E no domingo de manhã já era sangue mesmo. Nenhuma hemorragia, mas era preocupante. Liguei para minha GO e ela recomendou tomar ultrogestan e repouso. Fiquei de molho por todo o domingo com sangramento e cólicas chatas. No começo da noite, a dor começou a ficar mais intensa, quase insuportável. Pedi ao Nego que comprasse Buscopan e antes que ele chegasse, as dores já estavam insuportáveis, estava suando frio, com ânsia de vômito e dedos formigando.
Havia revelado há pouco para uma amiga-irmã o que estava acontecendo e foi ela, um anjinho nesta noite, que ficou com o Rafael para irmos ao hospital. A essa altura, eu já sentia dores terríveis no abdômen. Parecia com as dores do outro aborto. Acho que o bebê já estava voltando para o céu nesta hora. O fluxo aumentou bastante e cheguei ao hospital uivando de dor. Implorei por um remédio para dor e me aplicaram Buscopan na veia. Pareceu não resolver nada, mas uns 20 min depois, começou a aliviar e eu já podia agir como alguém civilizada. Tive um pouco de vergonha pelo meu descompasso anterior, mas dane-se. Eu estava muito mal mesmo.
Então, logo fiz a ecografia e a médica disse que se estava grávida, já não havia mais nada ali. Tudo estava normal, mas o útero estava vazio. Vazio. Meu coração se esvaziou um pouco também. Cheguei a duvidar da existência desse bebê. Como podia não estar lá!? Será que eu estive grávida mesmo!? Foi tão rápido. E não ouvi o coração bater de novo. Mas o exame de sangue tinha dado positivo...
Eu não estava, exatamente, tentando engravidar, mas não evitar é também uma forma de tentar. E, sobretudo, eu quis essa criança. Eu a amei.
E, como quase ninguém sabia, eu realmente não preciso desdizer nada. Não preciso dizer a cada esquina que eu perdi mais um bebê. Mas tenho urgência em dizer, em registrar que tenho mais um neném-anjo no céu. Agora, todos precisam saber. É uma forma de ainda tê-lo, de não deixar essa curta vidinha se apagar. Porque ela foi importante para mim. Porque fez parte dos meus sonhos e dos meus planos para toda uma vida. Porque eu a aceitei como um presente de Deus. Porque ela faz do Rafael um irmão mais velho, assim como o outro. E, sobretudo, porque ela vai sempre existir no meu coração.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Curtas! - Coisinhas engraçadinhas

Olhem aí o meu gatinho favorito imitando o Vetor do Meu malvado favorito. Ele representa a cena do pijama do Vetor para qualquer coisa que ele vista. Se você não viu o filme, dá para ter uma ideia com essa cena aqui que é uma das mais engraçadas do filme e o Rafael torna ainda mais hilária com seu jeitinho todo especial! Impossível não rolar de rir! Confiram aí:

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Até Drummond prefere os brinquedos que inventamos


Nos tempos modernos, temos muitos brinquedos, mas poucas brincadeiras. Tenho repensado tanta coisa nesta curta vidinha do Rafael. E uma delas é o tipo de brinquedo que ofereço ao pequeno.
Invariavelmente, brinquedos são caros. Tanto os bons, quanto os ruins.

Eu não quero que o brincar (ou a vida) do pequeno fique vinculado ao valor ou a quantidade dos brinquedos. Isso vale para adultos também. É algo que vale para mim também. Ao tentar ensinar isso ao pequeno, estou tentando aprender também e viver isso de verdade.

Nunca fui muito consumista, mas algumas vezes é difícil não se deixar levar por essa onda que valoriza tanto as marcas, o saldo da conta bancária e o carro importado.

Então optei por poucos brinquedos e estou preferindo aqueles que sejam menos automáticos e envolvam o pequeno em criar suas próprias brincadeiras. Os que sejam mais indicados para tornar a infância dele o que realmente precisa ser: um caldeirão de criatividade, alegria e boas lembranças. E eu quero estar na maioria dessas lembranças como sinônimo de amor, dedicação e doação.

Eu brincava de tudo um pouco quando era criança. Brincava de coisas de menino e de menina. (mais das de menino, se é que existe isso)

Agora, com o Rafael, tenho brincado de tudo um pouco outra vez. E de umas brincadeiras muito engraçadas que o próprio Rafael ou o pai dele inventam como essa aqui.

Esse post aqui, do Lar Montessori, do Gabriel Salomão, traz algumas dicas na hora de escolher o brinquedo. Mas além dos brinquedos adequados, eu acredito que o bom mesmo é a minha presença verdadeira e do pai dele (que é uma criança também).

Vejam que até o nosso querido Drummond também é contra os brinquedos que brincam sozinhos.
Achei essa poesia dele e convenci-me:

BRINQUEDOS PARA HOMENS

Embora eu seja adulto,
não me seduzem os brinquedos eletrônicos
que a moda, irônica, me oferece.
E excogito:
Que brinquedo inventar para o adulto,
privativo dele, sangue e riso dele,
brinquedo desenganado mas eficiente?
Tenho de inventar o meu brinquedo,
mola saltando no meu íntimo,
alegria gerada por mim mesmo,
e fácil, fluida, pluma,
pétala.

Sem o pedir às máquinas e aos deuses,
que cada um invente o seu brinquedo.

E vocês aí, como gostam de brincar com os seus filhos?

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Mãe, é só saber!



Uma das coisas que o pequeno mais gosta é inventar músicas ou histórias. Ele vive inventado musiquinhas, mas as histórias somos nós que temos que inventar. É assim: ele vê alguma coisa e pede para que a gente conte uma história sobre aquela coisa, tipo a história do "meu ventinho".
"Que história é essa meu filho, eu não conheço"
"Conta mãe, vai, vai, vai!?"
"Mas eu não sei. Como é essa história? Onde você ouviu?"
"Conta vai. É só saber!"
E não adianta discutir ou argumentar, 'é só saber!'. Nessa hora, só me resta poetar e inventar alguma história sobre o tal do 'meu ventinho' que não tenho ideia de onde ele tirou essa ideia. E aí eu criei essa historinha que até que achei bonitinha:

Era uma vez um menino que tinha um amigo que se chamava 'meu ventinho'.
Quando esse garotinho abria a janela do quarto, o meu ventinho fazia um barulho assim: UUU, UUU, UUU,UUU e entrava bem rápido no quarto do garotinho balançando as cortinas.
O meu ventinho fazia o maior siricutico rodopiando no quarto, e o garotinho ficava com medo do barulho.
E o garotinho ficava com frio porque o meu ventinho era gelado.
E de tanto rodopiar, ia ventando para fora do quarto saindo pela janela outra vez. Então, o garotinho corria e fechava a janela para o meu ventinho não voltar.
E o garotinho ficava com saudade porque, assim sem querer, já tinha gostado daquele ventinho. E abria a janela para o meu ventinho voltar.

Eu tive que repetir umas cinco vezes ou mais e a cada vez, inventava outra coisa ou mudava a ordem. E ao escrever aqui no blog, eu também já mudei mais um pouquinho, mas está bem próxima da original.

Diz aí se eu tenho ou não tenho dotes literário-poéticos!? (kkkkk)
Estou até pensando em fazer umas ilustrações com a ajuda do pequeno e do grande (o marido) para montar um livrinho nosso.

Quem gostar da história, curte aí. E se gostar muito, comenta. E se gostar mais que muito, compartilha.

domingo, 8 de junho de 2014

Por que eu proibí a TV?



Para falar o por quê eu proibi sugeri que o Rafael não assistisse mais TV, preciso voltar no tempo e contar a minha gradação lenta de assídua telespectadora para ibope quase 0. Então, senta aí que o papo vai ser longo:

Quando eu era criança lá em varginha (brincadeira, lá no guará mesmo), minha mãe trabalhava e eu ocupava boa parte das minhas tardes com os reclames do plim, plim. Sabia de cor toda a programação. Não tínhamos TV a cabo (há uns 20 anos atrás, aquilo era o olho da cara minha gente. Coisa pra gente chic mesmo. E, no nosso caso, tava valendo era ter feijão, arroz e carne), então o que restava era só o canal 10 da tv aberta, mais pela qualidade da imagem do que da programação. Embora, eu também andasse de bicicleta, de skate, de patins, soltasse pipa e essas coisas, boa parte do meu tempo eu ocupava na frente da TV. Eu não tinha muita autonomia para decidir o que eu ia assistir dentre os três canais abertos, então novelas pra quê te quero. Eu assistia todas e malhação foi umas das preferidas (já fui adolescente e não faz muito tempo assim. kkkk).

Aí no finzinho da adolescência, eu perdi a paciência com as novelas. Nada contra quem curte, mas aquela lenga, lenga que não desenrola e o clímax ser sempre interrompido pelo intervalo comercial ou adiado para o capítulo seguinte me encheu o saco. Tem coisa mais chata do que os atores discutirem a personalidade das personagens no Domingão do Faustão (outro programa que já aboli da minha vida há muito tempo). Cansei. Desde então, dei adeus às novelas. Nunca mais assisti. Por isso, todas as minhas referências de atores e trilhas musicais de novelas tem uma defasagem de pelo menos uns 15 anos. Se a novela bomba e está dando muito assunto, ainda leio algum comentário, algum artigo só para não ficar completamente por fora do que todo mundo comenta. Mas é só. E, como lá em casa só havia uma TV e quem decidia o que assistir não era eu e quase sempre a audiência era das novelas, me afastei um pouco das telinhas.

Aí, quando comecei a trabalhar, comprei a minha primeira televisão e coloquei no meu quarto. Pronto! Foi a primeira vez que me senti completamente livre com a telinha para assistir somente o que me interessava. Foi como receber uma carta de alforria para o controle remoto. Livre para escolher entre aqueles pouco mais de 10 canais (ainda não tinha chegado na TV a cabo) algo que não fosse novela.

Descobri algumas séries como CSI, Monk - Um detetive diferente, o programa Roda Viva da TV Cultura, dentre outros. Via filmes (o que sempre gostei muito). Voltei a ver TV. De outra forma, é claro, mas a telinha estava de volta. Aí, quando me casei, contratei um serviço de TV a cabo. Um pacote bem básico, mas que me abriu o mundo das séries. Assistia todos os dias: Law&Order; The Good Wife; CSI; Lost; Friends (mesmo depois de já ter encerrado a série), etc.

Aí o pequeno nasceu e achei que nunca, veja bem, que NUNCA mais eu ia conseguir assistir nada (ou fazer qualquer outra coisa) porque o pequeno sempre chorava na parte mais interessante do filme e porque quando ele dormia, eu queria ir dormir também. Até que ele foi crescendo e eu fui percebendo que existe vida após a maternidade, que podia, por exemplo, amamentar em frente a TV (e não dava pra fazer muita coisa mesmo além disso). Fizemos as pazes novamente. E assisti todos os filmes da sessão da tarde com o rebento no peito. E até duas novelas: A vida da gente e Cheias de Charme. Foi súper importante para eu me dar conta de que era possível fazer outras coisas que não ficar apenas preocupada com o Rafael. Eu me distraía num momento em que era muito difícil me desligar do rebento e relaxar. (Eu lia também, mas isso deixo para contar em outro post)

Aí o Rafael cresceu mais um pouquinho e eu passei a assistir os desenhos infantis. Ele não parava muito em frente a TV. Quase nenhuma programação o prendia e quando o fazia nunca era por mais de 15 minutos. Ele sempre foi uma criança muito ativa, com muita energia e vontade de fazer tudo, conhecer e mexer em tudo. Sabe aquelas crianças que ficam paradas, meio hipnotizadas em frente a TV, pois é, ele nunca foi assim. Se tinha alguma música nos desenhos, ele pegava algum instrumento e tentava acompanhar fazendo um arranjo. Ia no quarto brincar, pular e tudo, mas não parava muito tempo em frente a TV. Acaba que eu assistia mais que ele.

Eu gostava muito dos desenhos. Assistia todos com ele. Não só para fazer companhia, mas para selecionar os que eu achava adequados. Assim, eu conheço todos e tenho os meus preferidos, como o SuperWhy; Dora, a aventureira; Bubbles guppies; Team Umizoomi; Backyardigans e o Doki. Foi em um episódio do Doki que o Rafael decorou aprendeu o que é gravidade neste episódio aqui.
Um dia desses, o pequeno, com apenas 2 anos, perguntou para o pai:
_Pai, você sabe o que é gravidade?" (Oi?)
_ Não. O que é?
_ É uma coisa muito interessante.
Ok. É mesmo não é!? O mais interessante é o pequeno de apenas 2 anos falar sobre isso. E em outro dia, o pai babão relatava o ocorrido para um conhecido e resolveu chamar o pequeno para 'provar'. E perguntou pra ele:
_Rafael, o que é gravidade?
Aí o pequeno respondeu:
_ É uma força de atração invisível. (hãm... há tá é isso mesmo)

Surpreendente, não? A partir desse episódio e de outros, passei a incentivar muito que ele assistisse a esses desenhos. E até desejei muito ter tido TV a cabo na infância. Esses desenhos são muito interessantes. Muito mesmo. Fiquei impressionada com a qualidade, com a riqueza de conteúdo, com a musicalidade, com o incentivo de boas maneiras e bons hábitos de alimentação. Até que comecei a ler mais sobre essa questão de telas x infância. Descobri que a Academia Americana de Pediatria recomendava que crianças menores de 2 anos não vejam nada de TV e li depoimentos de mães (blogueiras que acompanho) contando a experiência de não permitir que os filhos assistissem TV ou usavam de muita moderação, como aqui, aqui e aqui.

Passei a pensar sobre isso. Conversei com o marido que sempre questionava os meus argumentos. E, em meio as minhas reflexões, uma constatação que já tinha feito assim que comprei a minha primeira TV: ficamos mais distantes quando a TV media toda a nossa interação em família. Venham e acompanhem o que quero dizer. Chegamos em casa, paramos em frente a TV e só conversamos nos intervalos sobre os assuntos agendados pela TV. Não sobra muito tempo para outras atividades como leitura, conversas livres, imaginação (nós adultos ainda temos isso também), desenhar (por que não?), escrever poesia, olhar o pôr-do-sol (que é lindo aqui da minha janela), aprender a costurar, sei lá, qualquer coisa. São horas e horas sem que possamos nos lembrar do que fizemos. Porque não fizemos nada mesmo. Apenas consumimos o que outros produziram. E a questão para mim não é produzir no sentido industrial, mas sim no sentido de elevar a alma, sentir o mundo, fazer poesia com a vida. Enfim, viver mais e assistir menos.

Basta dar um google simples e a busca trará um monte de artigos sobre os malefícios da TV para crianças, tais como: aumento na tendência a obesidade; dificuldade de concentração; incentivo ao consumismo; redução da criatividade e tantas outras. O meu marido questionou muitos desses argumentos e alguns pontos podem ser mesmo questionados, como no meu caso que sempre passei várias horas em frente a TV e sempre tive muita facilidade de concentração. As pesquisas indicam, no entanto, uma maior tendência e não uma regra sem exceção. Porque as exceções estão sempre presentes.

Aliás, não importa qual posição cada um adote, sempre haverá argumentos favoráveis e contrários.

Mas já tem mais de um mês que o Rafael não assiste TV. (Assiste apenas um pouquinho na casa da vovó) Tenho substituído as horas em frente as telinhas por brincadeiras livres; parquinho; visita a amiguinha, neta da vizinha; leituras; cantorias; participação dele nas atividades domésticas e até por tédio. É preciso algum tempo ocioso para criar coisas; para ter liberdade de escolher o que fazer sem estar aprisionado em frente a TV.

Independentemente do que se possa dizer contra ou a favor, o que pesa mesmo é a minha experiência positiva em relação a isso. Ou melhor, muito positiva. No início, ele até pedia para assistir, mas já não pede mais. Agora, ele pede para brincar de pique-esconde, pique-e-pega, essas coisas.

Sinto-me muito mais conectada com o pequeno por estar mais ativamente envolvida com o que ele faz. E só por isso já vale o sacrifício. Por si só isso já seria suficiente para que eu continue por esse caminho. Ele também passou a participar mais do que eu faço, me ajudando a fazer suco; a preparar a marmita do pai; etc. Percebo que ele busca criar brincadeiras sozinho e até consegue se concentrar em algo por conta própria sem a minha presença. (Isso é mais raro, mas acontece)

Pesquiso sempre atividades da pedagogia Montessori para apresentar ao pequeno. Mudei o ambiente, reduzindo a quantidade de brinquedos e os organizei para facilitar o alcance deles e favorecer a autonomia em escolher o que fazer e com que brinquedo brincar.

E, independentemente, de as pesquisas recomendarem isso, eu quero "gastar" o tempo do meu filho de outra forma que não em frente a TV. Na minha realidade de mãe que trabalha, tento aproveitar todas as horas que estou com ele, para, visceralmente, estar com ele. É verdade que nem sempre consigo. Às vezes estou cansada de mais, às vezes só queria ficar quieta. Mas não ligo a TV. Supero meu cansaço e acabo cedendo aos convites para ser monstro, ou cantar, ou ler um livro, ou brincar de guerra de almofada, ou pular na cama (só ele pula) ou qualquer coisa que ele queira. E assim a vida segue. Um dia de cada vez. Não sei até quando, mas por enquanto a TV está de férias sem data de retorno. Talvez eu a demita de vez, talvez eu a convide esporadicamente.

Eu acredito firmemente que Deus dá o dom de ser mãe para cada um individualmente. Ou seja, eu só sei ser mãe do Rafael, porque foi este que o Senhor me confiou. Ninguém melhor do que eu para identificar o que ele precisa ou o que é melhor para ele. Pode ser que eu falhe, mas o dom foi dado para mim. Deus há de completar o que eu não conseguir.

Assim, eu acho que cada mãe escolhe aquilo que convém na dinâmica dos seus filhos e do seu lar e a até onde cada um está disposto ou consegue ir ou o que considera importante transmitir aos filhos e eu tento com todo o coração respeitar isso.

Eu tenho muitas limitações, mas estou dando conta de deixar a TV desligada.
 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Senta que lá vem perguntas...


Eu amo a curiosidade infantil. Não tenho o menor problema em ficar horas respondendo, repetidas vezes, o que é a rua, se a nuvem é de algodão, por que o sol se pôs, para onde ele foi, se o sol foi para cima ou para baixo, o que é ... e tantas outras coisas. E, olha que meu pequeno é um perguntador de primeira. Pergunta de tudo o tempo todo. Uma matraquinha incessante de perguntas. Eu não fico impaciente, não acho chato. Eu sinto muito prazer em ouvir e responder às perguntas dele. Gosto muito mesmo! Não tenho medo das perguntas, mesmo as mais constrangedoras como contei neste post aqui. Eu realmente me divirto.

Eu sempre respondo a verdade e tento traduzir da forma mais simples que consigo a todas as questões. E, às vezes, nem dá tempo de responder porque ele já disparou outras milhões de perguntas. Além disso, eu também o provoco com algumas questões. E é lindo de "ver" a mente do pequeno criando uma resposta, um raciocínio. Outro dia, por exemplo, ele pediu para eu tirar o anel e eu disse que era minha aliança, que significava que a mamãe tinha se casado com o papai. E, perguntei: "você quer se casar, um dia?" Então, ele me respondeu: "Eu não pensei sobre isso de casar ainda!". Saiu pela tangente, igualzinho ao pai dele. Achei muito engraçado essa desenvoltura. Apenas com 2 anos, já sabe (ou fala como se soubesse) que um ato como casar-se requer muita reflexão e que não é um passo a se dar de forma impulsiva. Requer que se pense a respeito. hahahahaha

Eu me vejo no pequeno perguntador de curiosidade insaciável. Eu era assim quando criança e, de certa forma, ainda sou. A curiosidade é o que me move adiante, é uma força motriz que me impulsiona, que me faz gostar de ler, de querer conhecer tudo, de querer viajar, conhecer outras culturas e outros países. Se pudesse me descrever em um adjetivo, com certeza seria: sou curiosa!

Li em algum lugar que é a curiosidade é a principal características de pessoas inteligentes.

Além disso, eu aprendo com ele a redescobrir o mundo, reaprendo a ver a beleza e a poesia que cada coisa, ainda que miúda, tem. De me admirar diante das singelas coisas que nós, adultos, deixamos passar despercebidas. De notar o mundo e seus pequenos milagres sob o prisma do olhar verdadeiro e interessado do pequeno.

É, como disse o Gabriel Salomão, do Lar Montessori, neste post aqui, do qual retiro essa citação: "A criança, de várias maneiras, é uma estrela. Cada criança é uma estrela. São elas que dão ao mundo brilho quando ele se vê mergulhado na escuridão. É a criança que consegue libertar das muralhas de seriedade adulta os sorrisos mais singelos, e que recupera na fortaleza da alma os resquícios da habilidade, às vezes há muito esquecida, de sentir amor."

Ah! Registrem nos comentários as perguntas mais embaraçosas que os pequenos já fizeram.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Não quero comer!


Não sei ao certo quando o Rafael se transformou no Dudu, da Turma da Mônica, mas de uns tempos pra cá, ele simplesmente não quer comer. É assim. Eu falo como quem não quer nada que vou colocar o almoço ou o jantar e ele já começa a chorar dizendo que não quer comer. Fecha a boca. Tampa com a mão antes mesmo de começar a servi-lo.

Mesmo assim, eu insisto e coloco o almoço (pouco para não criar muitas expectativas). No cardápio, nada de diferente: arroz, feijão e macarrão (a guerra seria muito maior se tivesse alguma ervilha). Aí começa o 1º round: "não quero macarrão", ok, tiro o macarrão. aí vem: "não quero o feijão". O nível de stress aumenta, mas respiro fundo e tiro o feijão. Certa vez, a justificativa foi que "não queria feijão rasgado" (oi?). Lembrem-se que sobrou só o arroz. Então, ele arremata: "não quero o arroz!"

Em momentos como esse, sempre sinto que o tempo parasse e eu estivesse em num episódio do você decide e aparecem as seguintes opções bem diante dos meus olhos: 1) Fazer malabarismos lúdicos e percussionismo com a colher; 2) Enfiar, à força, colher, prato e tudo goela abaixo; 3)Deixar o minino passar fome por escolha própria;  4) Comer a comida dele para não desperdiçar; 5) Todas as alternativas, exatamente nesta ordem.

Sempre opto por respirar fundo e mentalizar o mantra: sou eu que mando e ele vai ter que comer: Coma e pronto. Isso não está em discussão! Às vezes funciona, às vezes não. E vamos indo... na adolescência isso muda!!! hahahaha

Semana passada, li uma entrevista com o pediatra espanhol Carlos Gonzales, que me acalmou um pouco, em que ele diz:

"As crianças pequenas não costumam comer muitas verduras. A verdura é baixa em calorias e simplesmente não caberia na barriga toda a quantidade que teriam de comer. Ao invés, as crianças devem procurar alimentos de alto teor calórico: massa, frango, arroz, pão… Com o tempo, o gosto muda. Atualmente, todos comemos coisas que em pequenos não gostávamos, a menos que os nossos pais tenham insistido tanto que nos fizeram odiar verduras. Os vegetais são muito saudáveis, mas o importante não é quantos vegetais comemos aos nove meses, mas sim durante toda a vida. Obrigar um bebé a comer muita verdura, fazer com que este a odeie e, de seguida, deixar de tentar é um desastre. Se o deixarmos estar, comerá pouco na infância e, uma vez crescido, comerá mais."

É ou não é uma opinião meio na contramão do que vemos por aí? Para mim, fez todo o sentido. É claro que eu preferia que ele esvaziasse o prato e ganhasse umas gordurinhas, já que ele é bem magricelinha. Então, continuo insistindo para o menino comer, mas tento ser mais tolerante quando ele diz que não quer mais. Afinal, ele come frutas diariamente, é muito saudável, muito ativo e tem energia que dá e sobra. Deve estar tudo certo! Oremos!
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