quarta-feira, 30 de julho de 2014

Mãe, é só saber - Uma poesia de porquês


Eu já contei neste post aqui que, quando não temos resposta para uma pergunta do Rafael, ele insiste dizendo que "é só saber", como se fosse uma pílula mágica ou como se fosse óbvio que os pais sabem de tudo. "Como assim não sabem?! É só saber!"

Além de engraçado, eu acho que tem poesia nisso e resolvi escrever uns versinhos.

Mãe, é só saber

Os pequenos seus porquês
Encontram colo sem saber
Na mãe, que sabe saber
todas as respostas e porquês

Mas tem hora, tem dias que
A mãe, que é só saber,
não sabe bem por quê
não tem aqueles exatos
porquês que se quer saber

Mas nenhum porquê acredita
Que mãe não sabe saber, e refuta
"ah, mãe... é só saber! ué"
certo que és uma poesia de porquês!

E será que a mãe sabe que,
coração que ama até não caber
só pode provar afinal que
mãe é só saber!

...

O que vocês acham dessas rimas dos porquês ventiladas pelo Rafael?

Mas se você é uma pessoa mais metódica e gramatical, confere neste link aqui, as regras dos porquês...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Rafael Musical - Menino do papai

Eu já contei nestes posts aqui e aqui que o Nego já escreveu duas músicas para o Rafael. A primeira, quando ele ainda era apenas uma barriga. E a segunda não sei quando, mas foi depois que ele nasceu e já sorria.

Essa segunda música é um improviso. Funciona assim: tem o refrão e a melodia, mas as outras estrofes são improvisadas com o momento. Então, é impossível cantá-la duas vezes igual. Cada vez que o Nego e o Rafael pegam o violão para cantar sai uma coisa diferente, atual e engraçada, como desta vez aqui:
 


O Rafael adora essa música e sempre diz: "Papai, canta a minha música" e ele mesmo vive cantarolando ela por aí. Até mesmo com a banda dele.

E ele já tem uma banda?! Tem sim senhor!

Tudo começou com uma amiga que precisou deixar os três filhos aqui em casa. Aí eu pensei: "Eis minha chance de formar uma banda!"

Aqui em casa tem mais instrumento que espaço ou gente para tocá-los. Temos teclado, cajom, bateria, alaúde, djembê, tambores, flauta, trompa, violão, gaitas, sanfona e talvez mais algum que eu tenha me esquecido. Mas falta menino. E enquanto a cegonha não envia mais alguns, não está nada mal juntar uns amiguinhos e fazer um barulho. Confiram aí:


Ainda cabe mais gente nessa banda e ainda tem instrumento sobrando aqui. Então é só ir chegando que o barulho é garantido!!!

Ah, estou aceitando sugestões para o nome da banda. Se você tem alguma ideia, deixa um comentário aqui!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pequenos passos cheios de emoção


Há dois anos com 1 aninho...

O aniversário de três anos do Rafael está chegando e eu estou um pouco saudosista. Essa data sempre me faz refletir sobre a vida desse serzinho tão cheio de vida. Esse blog nasceu meio por causa disso também. Eu percebi que ele estava crescendo muito rápido e que logo seriam apenas lembranças, então resolvi começar a registrar aqui as riquezas que a companhia do Rafael tem derramado na minha vida e na de todos que o cercam.

Dizer que ele é uma criança muito ativa é pouco para exprimir a inesgotável sede que ele tem pela vida; a curiosidade insaciável, a energia, a tagarelice e o interesse por tudo que se aproxima dele. Isso é contagiante.  Por isso, em muitas noites, ele reluta em dormir. Quando colocamos o pijama, ele já diz que não quer dormir, que é uma forma de dizer que não quer desperdiçar-se um segundo sequer.

De tudo, os olhos enormes dele são o que mais me impressionam desde o dia em que os vi pela primeira vez há quase três anos: tão enormes, tão assustadoramente expressivos, tão verdadeiros e, ainda assim, com silêncios tão misteriosos - um pouco como o pai dele.

Ele gosta muito de ler, como eu, e mais ainda de música, como o pai. Até aqui, acho que ele tem herdado o melhor de nós dois e, embora falhemos com frequência, tem feito com que nós nos doemos a ele no melhor que temos.

Aí me lembrei de um vídeo fofo em que gravamos os primeiros passos realmente independentes do pequeno, quando ele tinha 1 ano. É um vídeo que me emociona um pouco. Sempre que o assisto cai um cisco no meu olho e parece que ele enche de água, mas é só por causa do cisco!!!



Outros muitos passos de independência virão, afinal crescer é justamente isso: caminhar para a independência.

Mas que emociona, emociona!!!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Rafael Musical - A trompa

Nesse vídeo da série Rafael Musical, o pequeno se aventura num instrumento erudito... vale a pena conferir a Sinfonia nº1 para Trompa Solo - O grito do elefante. kkkkkkkk


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Enfim, livres (da fralda)

Uma estrelinha pelo xixi e uma estrelona pelo...


Desde o dia 15/jul, o Rafael está oficialmente desfraldado durante o dia e durante a noite também(uêba!). Foi quase 1 ano de tentativas num processo lento, cansativo e desgastante, porém cheio de aprendizado também. Senta aí que a história vai ser longa.

Resolvi começar a tirar a fralda do Rafael pouco antes dele completar 2 anos, acreditando na teoria de que a partir dessa idade, o bebê já estaria pronto para controlar o esfíncter e etc, blá, blá, blá. Além disso, ele já se comunicava muito bem. Então, não haveria de dar errado por falta de um "mamãe, quero fazer xixi!". Optamos por um adaptador para o acento do vaso porque não íamos precisar de um penico. Isso seria uma etapa a mais desnecessária. Por que não leva-lo direto para o vaso? (erro primário básico)

Mas quem disse!? Não deu certo. O assento não era tão adaptável e não se estabilizava direito, contribuindo para que o pequeno ficasse inseguro lá em cima. Muitos xixis no chão depois, resolvemos que era melhor esperar até que ele completasse os 2 anos, quando iniciei todo o processo novamente, mas, dessa vez, com um penico.

A estratégia era leva-lo constantemente ao banheiro para fazer as necessidades. Ele não tinha nenhum problema em fazer as coisas no penico, mas nunca, nunquinha avisava quando queria fazer. E, durante meses, tínhamos que usar toda a nossa telepatia, premonição ou sexto-sentido para "adivinhar" quando o menino estava querendo esvaziar a bexiga ou o intestino.

O problema era que não tínhamos talento para mãe Dinah, então ele saiu marcando território em tudo que é canto: no meu colo, no colo do pai, na cadeira, no sofá, na cama, no tapete, na cadeirinha do carro, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê... Eu ficava tão ansiosa com isso, que as frases que dirigia ao pequeno nesse período eram mais ou menos assim:

_ Oi filho. (Quer fazer xixi?) Como (Quer fazer xixi?) foi o (Quer fazer xixi?) seu dia?
_ Você está (Quer fazer xixi?) com fome? (Quer fazer xixi?)Vamos (Quer fazer xixi?) jantar? (Quer fazer xixi?)

Depois de alguns meses sem que o quadro mudasse, resolvi esperar até que ele fosse para a escolinha e quem sabe seria mais fácil. Em janeiro, retomamos o processo e tudo continuou na mesma. Não quis arriscar deixá-lo sem fralda na escola ainda, então resolvi esperar até que voltássemos da viagem em março.

Assim que chegamos de viagem, decidi que ele não usaria mais fralda na escola e que retomaríamos todo o processo. Mas achei que precisava de estratégias motivadoras e de reforço positivo, então comprei adesivos de estrelinha para celebrar as idas ao banheiro.

Além disso, e talvez o mais importante, mudei de postura. Diminui a ansiedade, e passei a encarar com mais naturalidade, sem tanta expectativa e disposta a esperar o tempo dele. Relaxei. Tentava não demonstrar frustração e, mais que isso, tentava não me frustrar mesmo. E, já que não adiantava chorar o xixi derramado, ia limpar a sujeira e o convidava para limpar também.

Diminui a minha auto cobrança e passei a ignorar a sutil cobrança alheia do tipo: 'ele ainda usa fralda'; 'você tem que ensinar esse menino a usar o vaso'; 'ele já está grande para usar fralda'; 'fulaninha tem 1 ano e meio e já não usa fralda'. (Desabafo: eu odiava isso. Ufa!)

E depois de umas duas ou três semanas, ele começou a pedir para ir ao banheiro. Ainda havia acidentes, mas ele estava fazendo xixi no vaso. (para a nossa alegriaaaa!!). Xixi, entendam. O cocô era só na cueca. Não preciso entrar em detalhes do quanto isso foi uma aventura escatológica.

Passaram-se mais alguns meses dessa forma sem que eu tivesse coragem de arriscar deixá-lo sem fralda fora de casa. E nas poucas vezes que arrisquei, acontecia o acidente com o número 2. Era respirar fundo e limpar a caca toda.

Mas como tudo na vida muda, um dia isso mudou e ele começou a avisar também do dito cujo. Assim, durante o dia, ele não precisava mais de fralda nem mesmo fora de casa. E, de repente, a fralda noturna começou a amanhecer seca durante vários dias. E, de repente, durante a madrugada ouvia-se um 'papai, quero fazer xixi'. E, de repente, tiramos a fralda noturna e ainda não tivemos nenhum acidente. UÊBA!!!!

Depois de tudo isso, resta uma lição para mim. Sinto que errei. Eu não deveria ter iniciado o processo tão cedo. E, mesmo que tivesse iniciado, não deveria ter tido tanta ansiedade e não deveria ter nutrido tanta expectativa quanto a rapidez do processo. E, tendo visto que ele não estava pronto, deveria simplesmente ter parado e respeitado o tempo do meu pequeno que até poderia ser mesmo capaz de controlar o tal do esfíncter aos 2 anos, mas podia não estar preparado ou maduro o suficiente para abandonar a fralda. Ou simplesmente, podia não querer fazer isso.

Acho que o atrapalhei com toda a minha ansiedade. Acho que fui violenta desnecessariamente, desrespeitando-o em seu tempo de aprendizado. E, por fim, acabei por complicar todo o processo. Acho que eu já deveria saber que cada pessoa é única e que devemos respeitar suas peculiaridades e idiossincrasias. Que, se ele tem facilidade para aprender uma coisa, isso não é, necessariamente, verdade em todas as outras coisas. Eu deveria ter olhado para ele ao invés de olhar os manuais.

Eu estava ansiosa (de novo. sou muito ansiosa mesmo) para escrever este post. Para assumir os meus erros, para festejar o desfralde e o aprendizado com toda essa história.

Se alguém também quiser desabafar um desfralde ou outro aprendizado qualquer, aqui tem um ombro amigo. Dá cá um abraço que eu te entendo.

P.S: Ainda sobrou um pacotão de fralda Turma da Mônica, tam G. Se alguém aí ainda está longe de desfraldar o pimpolho ou pimpolha pode se candidatar a herdar essas fraldas deixando um recadinho aqui no Blog.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Dia das mães, publicidade e consumismo


Brincar é de graça!
 
Eu nunca fui muito consumista não. Nunca tive problemas com o cartão de crédito e nunca fui seduzida por marcas de coisa nenhuma. Mas mesmo assim, não posso negar que já tenha me sentido mal por não poder comprar algo, ou que não tenha sido induzida a achar que tal marca atribuía mais valor ao produto, ou pior ainda, à pessoa.
 
Estou numa de evitar o quanto posso que a escolha do que consumimos (porque é inevitável consumir alguma coisa) seja ditada pela força brutal da publicidade a que somos expostos. Olho para todos os artigos com motivos de algum desenho infantil e viro a cara. Não quero. A não ser que o custo seja menor ou igual a produtos similares "sem marca". Será que não tem um que não tenha desenho, artista ou whatever?!
 
Não é que esses produtos sejam do mal (embora a publicidade seja. Desculpem-me os amigos publicitários). Mas tenho horror às mensagens publicitárias que querem fazer crer que os produtos anunciados atribuem valor às pessoas que os possuem ou venham a possuir, seduzidos por essa falácia. É uma espécie de metonímia forçada e perniciosa em que se substitui a pessoa pelo objeto. Isso ocorre tanto para valorar quanto para inferiorizar a pessoa, a depender de qual marca usa.
 
No fundo, trata-se apenas de vender e afortunar os donos do negócio. E aí não importa a qualidade do produto (que pode ou não corresponder a realidade), não importa a utilidade, a preocupação com a sustentabilidade, a ética na cadeia produtiva, o que se vende é a percepção de que se faz parte de um grupo privilegiado e único por serem donos de uma "edição limitada" de qualquer coisa caríssima.
 
E eu creio que cada pessoa tem um valor único e próprio sim, que cada um tem um nãoseiquê dentro de si com potencial para a felicidade, para o amor e que isso é capaz de produzir frutos em prol de si mesmo e dos outros. Mas esse valor não tem nada a ver com o celular, com o carro, com a bolsa, com o óculos, com o relógio, com o tênis, com a camisa, enfim, com nada que não venha de dentro.
 
Dois fatos me fizeram refletir ainda mais sobre o quanto eu não gosto disso, o quanto me incomoda que haja quem difunda essas mensagens (publicitários) e quem acredite nisso (sociedade em geral).
 
Um fato foi uma garota dizendo que não queria mais usar a mochila dela porque os coleguinhas de uma escola particular iam fazer chacota porque era da Barbie, que é coisa de criancinha, e por aí vai. Acrescente-se a isso o fato de que essa mochila custou mais de 400 dinheiros justamente por ser da Barbie. Preço absurdo, digno da alcunha de $urreal. E que ela queria descartar porque ia ser diminuída em seu valor intrínseco, substituído pelo valor que o grupo atribuía ao objeto, e por conseguinte a ela.
 
Só consigo pensar que não quero isso para mim e, sobretudo, não quero isso para o meu filho. E, por isso, estou optando intencionalmente por escolher os produtos que não tenham "marca" (sem me despreocupar com a qualidade do produto, é claro). Mas não só. Também não quero um lazer que seja comprado a peso de ouro. Se custa uma fortuna, questiono. E na maior parte das vezes, não quero. Prefiro aquele lazer que é de graça ou a custo reduzido, como andar de bicicleta, soltar pipa, um piquenique no parque, etc. O valor dessas coisas não está no preço, mas na experiência em si mesmo, na companhia de pessoas que amo, na vivência agradável, que se tornarão lembranças felizes.
 
O segundo fato foi que a escolinha do Rafael pediu 40 dinheiros para personalizar uma ecobag com fotos para o presente de dia das mães e eu não quis. Eu sei que mãe é bicho bobo (e as escolas também) e se derrete com essas coisinhas, mas eu nem sequer fiquei tentada a participar. Ponderei apenas que eu não precisava de uma ecobag e não ia pagar por algo que eu não preciso. Não é frieza não, mas eu realmente não estou gostando de coisas que associam homenagem às mães (ou qualquer outra data comemorativa) a uma oportunidade de alavancar vendas.
 
Eu sei que o dia das mães já passou, mas o meu pequeno não sabe disso. E quase todos os dias ele me presenteia de novo com o mesmo buquê artesanal que trouxe da escola na véspera do domingo de dia das mães. Basta eu chegar em casa e ele pega o buquezinho de cima do raque e diz: “Feliz dia das mães, mamãe!” Morro de amores. É uma fofura né!? 

E, sem que eu soubesse, quando decidi não comprar a tal ecobag, acabei ganhando um presente muito mais valioso que se renova toda vez que o pequeno vê aquela florzinha e me presenteia de novo. E não está associado a comprar algo. Foi uma lembrancinha feita manualmente com material reciclado pela professora com ajuda das crianças. Vejam que esse presente feito pelo próprio pequeno por si só, não tem valor, mas o gastar tempo e desprender energia em produzi-lo juntamente com a lembrança cotidiana é um doce presente que eu não teria com a ecobag guardada no armário. Assim, ele me ensina que o presente é essa renovação diária de carinho e quase todo dia é Dia das Mães. E acho que é assim que tem que ser toda homenagem: diária e gratuita.

Esses são dois exemplos, mas o cotidiano é recheado de fatos como esses. O que torna o desafio de livrar-me do consumismo uma batalha diária e me obriga a ficar sempre vigilante. E são também oportunidades de viver e ensinar ao Rafael que temos valor em nós mesmos independentemente dos objetos e do que querem nos fazer crer os publicitários.
 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Rafael Literário - Ana, Guto e o Gato dançarino


Essa semana, ganhamos vários livros da vovó Clau (muito obrigada, nós amamos e estamos nos divertindo muito com eles).

Dentre os vários livros que ganhamos, tem um muito especial, de um autor/ilustrador que já conhecia e do qual já tínhamos dois livros. O livro se chama "Ana, Guto e o Gato dançarino", do Stephen Michael King.

Esclareço logo que não é o autor americano de livros de terror/suspense. Esse outro Stephen é australiano e escreve literatura infantil com uma sensibilidade poética mais do que linda. E gostei tanto desse livro que resolvi escrever sobre ele.

A Ana é uma artesã que produz sapatos marrons comuns, cheios de semgracesa, mas o seu talento mesmo era transformar qualquer coisa em algo diferente.

"Noite após noite Ana sonhava que tinha coragem suficiente para mostrar a todos o que realmente sabia fazer. Mas os seus dias eram sempre iguais."

A vida da Ana parece muito com a vida de muita gente. Fazendo coisas iguais e sufocando as coisas que inspiram paixão, deixando a vida passar sem encontrar aquilo que realmente nos torna únicos e nos faz feliz. É um livro que fala sobre autenticidade e liberdade para ser o que a gente é de mais verdadeiro.

E é um livro com o qual me identifiquei muito. Não só pelas belas ilustrações e pela poesia do texto, mas porque, em alguma medida, me vi na Ana. Se ela sentia-se sem coragem para criar livremente, eu sentia-me incapaz de ser espontânea ou divertida. Era sempre séria e introspectiva, acho até que meio chata. E o Nego e o Rafael estão para mim como o Guto e o Gato dançarino estão para Ana.

O Nego chegou na minha vida igual ao Guto e com ele me senti verdadeiramente livre, pela primeira vez. Ele despertou em mim uma espontaneidade que eu nunca tive e talvez nunca venha a ter sem a presença dele. Ele tornou a minha vida mais cheia de cores e coisas diferentes. E com ele geramos o Rafael, meu gato dançarino. E aí que a minha vida passou a não se caber de tanta espontaneidade, poesia, imaginação e beleza. Eles dois são os meus menestréis.

É daqueles livros que podemos reler muitas vezes porque é tão grande que não dá para ler tudo de uma vez só. É um livro de poesia infinita, no qual sempre podemos descobrir coisas novas. (isso é mesmo muito importante, já que o pequeno pede mil vezes para lermos o mesmo livro)

Se você quiser saber mais sobre o autor, leia aquiaqui. E se quiser ver o meu gato dançarino em performance é só assistir o vídeo abaixo:

 
 
 

Para adquirir este livro, clique aqui

domingo, 6 de julho de 2014

Um filho que cai e uma mãe que... pensa!



O Rafael, como todo toddler, gosta de subir em tudo e pular no chão ou na gente. Em uma dessas vezes, ele não pulou. Ele subiu em um banco que ele mesmo havia trazido e colocado na minha frente e apenas deixou-se cair na minha direção.

Ele não me perguntou se eu estava preparada para ampará-lo e, mais incrível ainda, ele sequer cogitou a hipótese de que eu não o pegaria, ou em outras palavras, que eu falharia, que eu não estaria ali. Apenas "sabia" que eu o seguraria. Apenas confia. Aí, neste exato momento, percebi o óbvio: crianças confiam (em seus pais) e sem reservas, e sem ressalvas, e sem temor e sem nenhuma racionalidade e independentemente das inúmeras imperfeições deles.

Quando somos adultos, ou pelo menos a adulta que sou, precisamos nos esforçar muito para confiar assim. Alguns exercícios como, por exemplo, quando se faz um círculo e uma pessoa fica no centro deixando-se cair de um lado para o outro para ser amparada pelos companheiros de roda, servem justamente para gerar este tipo de confiança que a criança tem naturalmente em seus pais.

Sempre vi esse tipo de exercício como algo absolutamente subversivo e com algo de anarquista. São como ir contra a ordem natural das coisas ou, pelo menos, contra a minha ordem natural de coisas. Nunca participei de nenhum do tipo. Jamais conseguiria simplesmente deixar-me cair.

Aí, ocorre que eu nem estava tão atenta assim às peraltices do menino, que não tínhamos um acordo de que eu o pegaria e que ele nem tinha me avisado que se despejaria e, mesmo assim, subvertendo o mais básico instinto de preservação, ele deixa-se cair corajosamente na minha frente.

E foi quando percebi o erro ou a falácia de ter pensado que não tínhamos um acordo sobre isso. Existe sim um acordo tácito em que filhos confiam em seus pais. Confiam que eles estarão lá ainda que pareçam desatentos, ainda que a paciência tenha se esgotado ou nunca tenha existido, ainda que o dia tenha sido estressante, ainda que sejamos imperfeitos como somos, enfim.

Ainda assim, os filhos esperam que seus pais estejam lá e os amparem, e os compreendam, e os guiem, e lhes deem limites, e lhes deem atenção, presença e amor e tantas outras coisas impossíveis de enumerar. E é por isso que quando falhamos em alguns ou em todos esses itens (e como falhamos!) nossos filhos se sintam, de alguma forma, traídos. (sobretudo na adolescência, né não!?) Porque, no fundo, quebramos esse acordo. E não fazemos isso por falta de vontade de acertar, ou por crueldade, mas unicamente porque somos mesmo falhos e temos inúmeras limitações que nos impedem de corresponder sempre a tão elevadas expectativas.

Nesse dia, contemplei essa confiança desmedida e irracional no meu filho, percebendo que ele espera de mim muito mais do que a minha imperfeição poderia assegurar. E vi, como num flashback, as desmedidas expectativas que eu depositava nos meus pais. Pude amá-los mais após tornar-me mãe.

E, se por um lado, as minhas limitações são a oportunidade para que ele compreenda e aceite as limitações dos outros de uma forma geral, ou dizendo de outra forma, aprenda a grandiosidade do amor incondicional e do perdão. Por outro, não diminuem a enormidade do desafio e a vontade de corresponder a essa sincera confiança.

No fim, mesmo estressada, impaciente e imperfeita acho (e Deus sabe o quanto eu gostaria de estar certa nisso) que tenho amparado o pequeno da mesma forma que, estando desatenta naquele momento, o segurei e evitei que ele se estrebuchasse no chão.

Mesmo que, em inúmeras outras vezes, eu já o tenha deixado cair, como na foto com a testa roxa abaixo.



Desafio grande esse de ser mãe (e pai), né não?!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Da Série Curtas! - O casamento

Mais da série Curtas! - Coisinhas engraçadinhas. Dessa vez, vou contar várias historinhas. Confiram aí:
 
Casamento
 
Estávamos em um casamento e o pastor falava que o homem deveria se esforçar para fazer a mulher feliz e que a mulher deveria se esforçar pela felicidade do marido. Aí, logo após discorrer sobre essa felicidade, o pastor fez uma pausa para respirar e reinava aquele silêncio, quando o Rafael (que estava brincando e com ares de não prestar atenção em nada, muito menos no sermão do pastor) vira para o Nego e diz, mais ou menos com essa cara inquisidora aí da foto. Meio que averiguando se na vida real era aquilo mesmo que o pastor estava falando:
 
_ Pai, você é feliz?
 
A brecha daquele silêncio fez com que todos que estavam perto ouvissem e não contivessem as gargalhadas.
 
"Papai, você é feliz?"
 
 
O leite
 
Outro dia perguntei para o Rafael:
_ De onde vem o leite?
_ Da geladeira.
Veja só como são meninos da cidade. Então, tive que explicar que comprávamos o leite no mercado e colocávamos na geladeira. Mas insisti para ver se conseguia que ele me dissesse que o leite vem da vaca e perguntei.
_ Aonde nós pegamos o leite?
_ Da lógica de leite.
kkkkkkkkk. Morri de rir e desisti dessa empreitada. Vou ver se levo ele lá em Monte Azul para voltar nessa aula.
 
 
A lanterna
 
O Rafael está com uma lanterninha na mão e pergunta para o pai:
_ Pai, a minha lanterna diz o quê?
_ Não sei filho. A sua lanterna diz alguma coisa?
_ Sim. Ela diz lanternez.
 
É pra morrer de rir ou não é!?
 
Mãos sujas
 
Todo dia quando o Nego chega em casa, ele vai lavar as mãos antes de abraçar e pegar o Rafael:
_ Papai, porque sua mão está suja? (o Rafael sempre pergunta)
_ Porque o papai estava trabalhando.
Aí, outro dia, o Nego ligou para o pequeno lá do trabalho:
_ Papai, você está fazendo o quê?
_ Papai está trabalhando.
Tempo processando informação e vem a conclusão lógica:
_ Ah tá... Você está trabalhando para sujar as mãos!
 
kkkkkkkkk. Claro que ele trabalha com o grandioso e único objetivo de sujar as mãos!
 
Posto de saúde
 
_ Mamãe, olha o posto de saúde.
_ É mesmo. É o posto de saúde. (Respondo logo, porque se não, ele repete a mesma frase infinitas vezes até que a gente responda. O menino é insistente igual à mãe dele)
Aí vem a conclusão a que ele chegou sobre o posto de saúde:
_ Ele fala de saúde. (Claro que fala, quem vai dizer que não?)
 
 

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