quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Como ser a pessoa que quero que meu filho seja?


Às vezes, olho para o Rafael e meu coração se enche de perguntas para o futuro e de amor para o presente. Quem ele é e será? O que será importante para ele? O que o guiará nesse universo de possibilidades que é a vida? Seus olhos carregam um universo secreto. E, nessa busca apaixonada pelo serzinho que o Senhor me concedeu, olho para mim.

Enquanto me esforço para cumprir a missão de educa-lo, descubro no caminhar lento e rápido dos dias que não o educo. Antes, educo a mim. Antes, torno-me uma outra pessoa. Melhor, espero. Prepotência achar que posso educá-lo. Não posso.

Posso ser uma pessoa melhor por este amor, que é forte como a morte e, então, vendo em mim, ele saberá o que é amor, perdão, paciência, meditação, fé, educação, respeito, generosidade, compaixão (e o que mais houver de bom para ser neste mundo). Antes de educá-lo, é preciso ser.

E quando sou tudo isso, ele verá como se é, como se deve ser. E isso não se pode ensinar, mas aprender. E aprender é algo que cada um só faz por si mesmo. Espero que ele faça por ele, porque a vida dele tem sido uma das forças motrizes para que eu aprenda a ser.

A lista de coisas que preciso ser para que meu filho “aprenda” é infinita. Estou certa de que levarei uma vida inteira para ir sendo melhor que ontem. Para não ser violenta quando contrariada; para não ser mentirosa e falsa por conveniência; para não ser generosa por interesse; para perdoar os erros que me prejudicam; para lidar com a ira quando ela vier; para superar os medos que me paralisam; para vencer a preguiça e o egocentrismo com generosidade; para respeitar e tolerar o que é o outro; para reverenciar a criação, imagem e semelhança de DEUS; para ter fé e esperança sempre; para amar na dimensão da cruz; para ser essencialmente feliz, sempre...

Enquanto eu aprendo isso, ele vê, ele aprende... não por que eu disse, mas porque consegui ser.

Bjos,

VdM


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como encontrar a escola perfeita? A saga - Parte III



Depois de ligar em dezenas de escolas públicas e privadas, visitar pelo menos umas 5, ler e avaliar proposta pedagógicas, Projeto Político Pedagógico - PPP das escolas públicas (acesso por aqui), preços e logística, chegamos a conclusão que o melhor seria colocarmos na escola pública.

O único problema é que não sabíamos se haveria vaga para crianças de 3 anos na rede pública no ano que vem. Então, escolhemos uma segunda opção (uma escola particular) para o caso de não haver vagas. Com o plano A decidido e o plano B no bolso, para o caso de intempéries do destino, restava esperar pelo período de matrícula na rede pública.

Aí se passaram umas três semanas de ansiedade até que o governo facilitou bastante a minha decisão (para não dizer limitou) quando resolveu priorizar a matrícula de crianças de 4 anos, e não oferecer vagas para crianças de 3 anos.

Ao fim (pelo menos eu espero que seja) dessa saga interminável e angustiante de encontrar a escola perfeita, que se alinhe com meus princípios e que seja financeiramente viável, restou matriculá-lo na escola particular do plano B.

Assim, o menino vai mudar de escola e nós teremos um orçamento mais que apertado a partir de janeiro.

Depois conto como foi a adaptação e o que estou achando da escola nova.

Ante o ideal da escola perfeita, vamos com a escola possível.

Bjos,

VdM

Para ler a 1º parte dessa saga, clique aqui.

Para ler a 2º parte dessa saga, clique aqui.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Como encontrar a escola perfeita? A Saga - Parte II



Contei no post anterior que estamos procurando uma nova escola para o Rafael. E, como tenho pensado nisso em cada segundo das 24 horas do dia, resolvi partilhar as minhas reflexões sobre o que seria a escola perfeita para a nossa família, de acordo com o que meu coração (e um pouquinho de informação que encontro na internet ou que leio por aí) tem me inspirado.

São tantas e tão particulares as questões que envolvem a escolha da escola de um filho que é impossível encontrar a escola perfeita, mas não custa sonhar, né? Então, listei 10 itens, em ordem de importância, que, na minha opinião, a escola perfeita teria de ter:

1) AMOR:
Que sejam amorosos ao tratar com as crianças; que compreendam a beleza e a dádiva de se conviver com crianças; que não as rotulem; que compreendam as fases de desenvolvimento natural das crianças e seus desafios; que as chamem pelo nome, que as tratem com amor e respeito, sempre.

2) RESPEITO À INDIVIDUALIDADE:
É muito importante para mim que todo o corpo docente da escola trate as crianças com respeito, que valorize e estimule a autonomia, que as observem e ajudem a descobrir e desenvolver suas melhores habilidades. Sobre esse item, sinto muita afinidade com a pedagogia Montessori. Para ler sobre isso, recomendo esses textos aqui, aqui e aqui.

3) NÃO ÀS TELAS, EM GERAL (TV/computador/tablets, etc):
Eu já contei neste post aqui o que penso sobre TV, o que inclui as demais telas. Não é que o menino nunca assista. Nos finais de semana, costumamos escolher um filme e toda a família assiste junto ou quando ele visita a vovó... Mas se ele vai passar 4 horas na escola, não tem sentido deixar ele em frente à TV nesse período.

4) COMPETIÇÃO:
Que não valorize, nem estimule a competição, mas a cooperação e que ensine que com isso construímos um mundo mais solidário e sustentável. Que não torne a vida escolar uma corrida insana para ser aprovado no vestibular.

5) PÚBLICO x PRIVADO:
"a escola pública de ensino comum é a maior das criações humanas e também a máquina com que se conta para produzir democracia"¹ 
Eu concordo com as palavras acima, proferidas por Anísio Teixeira, idealizador do sistema educacional na capital. E, por isso, eu preferia que meu filho estudasse numa escola pública (de qualidade, como tem que ser) e, aqui em Brasília, há muitas escolas públicas de qualidade, em especial na educação infantil.

Acho que estudar em escola pública fortalece a minha cidadania, na medida em que estou inserida nessa realidade e atuo em prol de uma melhoria constante e participo dessa construção coletiva que é a escola, a democracia e a cidadania.

Enfim, acredito que o que torna a escola perfeita, são as pessoas que a compõem (professores, pais, alunos, toda a comunidade). É óbvio que uma boa estrutura ajuda, mas as pessoas é que vão transformar o ambiente. Isso sem falar na diversidade de pessoas e classes sociais que só tem em escola pública. É um tema polêmico. Não vou esgotá-lo aqui, mas se quiser ler alguns textos interessantes sobre isso, veja aqui, aqui e aqui.

6) ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL:
Que incentive hábitos alimentares saudáveis, e que não distribua doces e balas nas lembrancinhas; que cultive horta, se possível.

Os dados crescentes de obesidade infantil no Brasil e no mundo são assustadores e a escola tem um papel estratégico para mudar essa realidade. Para uma leitura muito esclarecedora sobre o assunto, sugiro assistir o documentário Muito além do peso:


7) ARTES/MÚSICA/LITERATURA:
Estimular o gosto pela leitura, pela música e pela arte é super importante para enriquecer a forma como as crianças se relacionarão com o mundo. O deleite na apreciação dessas linguagens é uma experiência fabulosa, sobretudo quando se é criança. Além disso, de uma forma geral, a nossa sociedade tem valorizado muito as disciplinas exatas e não exploramos bem o lado direito do cérebro, o lado responsável pela criatividade, inovação, etc. Nem precisa dizer o quanto essas características tem sido importantes hoje em dia...

8) ENSINO RELIGIOSO:
Eu sou cristã e é parte da minha missão como mãe, ensinar a fé em Deus ao Rafael, portanto, valorizo muito que a escola tenha uma orientação religiosa semelhante a minha.

9) ESTRUTURA:
Não sou muito detalhista, mas eu acho importante que toda a escola, em especial, as salas de aula sejam bem iluminadas, espaçosas, arejadas, limpas e organizadas.

10) LOGÍSTICA/PREÇO:
A escola tem que ser próxima ao meu trabalho, ter um preço que caiba no meu orçamento (se não for pública) e oferecer vagas no turno vespertino.

E aí? O que vocês acham? Será que eu encontro a escola perfeita?

E vocês? O que vocês levaram em conta na difícil tarefa de encontrar a escola perfeita?

Contem aqui e me ajudem nessa empreitada.

A saga continua...

Bjos,

VdM

1. RIBEIRO, Darcy. Dr. Anísio. In: RIBEIRO, Darcy. Cartas, falas, reflexões e memórias. Brasília: Senado Federal, 1995. p. 33.


Para ler a 1º parte dessa saga, clique aqui.

Para ler a 3º parte dessa saga, clique aqui.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Como encontrar a escola perfeita? A Saga - Parte I



Apenas 1 ano se passou desde a peregrinação de escola em escola que me levou a matricular o Rafael na sua primeira escolinha o ano passado, e cá estou eu de novo gastando meus calçados de porta em porta pelas escolas afora...

Coloquei o Rafael na escola quando estava apenas com 2 anos e 5 meses. Eu achei que era a idade ideal. Não foi. O primeiro filho é sempre uma cobaia. E eu serei sempre a sua mãe de 1ª viagem, como li nesse post aqui.

Por que eu achei que seria ideal?

Ele sempre acordou cedo, então achei que estudar pela manhã não seria um problema. Mas foi.

Achei que ele iria se adaptar tranquilamente. Mas não se adaptou. Só depois que completou 3 anos (7 meses depois do início das aulas) é que começou a me dar tchau sem olhar para trás. Conto isso aqui e aqui.

Eu achei que conseguiria chegar cedo em casa, logo após a soneca da tarde. Mas nem sempre consegui sair cedo do trabalho e sofri horrores porque não passava as manhãs com ele e só chegava no final da tarde. (mãe também tem ansiedade da separação!!!)

Ele ficava parte do dia com a babá, então achei que era melhor a escola. E, nesse ponto, acho que a escola foi melhor mesmo. É lindo de ver ele cantando musiquinhas que aprendeu na escola, dentre outras coisas.

O fato de ser uma escola pequena, com apenas uma turma por série, me agradou muito, pois favoreceu o contato pessoal e meu filho era chamado pelo nome.

Por que não foi tão legal assim?

Escolhi uma escola pequena e próxima da casa da minha mãe. Eu o deixava na escola e minha mãe o buscava e levava para a minha casa onde a babá ficava com ele até a hora que eu chegasse do trabalho. Essa logística toda funcionou bem, exceto por alguns imprevistos. Mas o fato de não ser eu ou o pai do Rafael a buscá-lo deixou ele um pouco triste, no início. E é claro que eu sofri com isso também, mas não havia o que fazer.

A escola não oferece tanto espaço ao ar livre, não tem grama, não tem quadra e eu achei que tem poucos momentos de interação família/escola.

A escola mandava muitos doces em lembrancinhas bem na hora do almoço, o que gerava alguns atritos para impedir que ele se enchesse de balas antes (ou depois) de almoçar.

O meu marido sempre foi contra colocá-lo na escola tão cedo, mas eu não lhe dei ouvidos e tenho que ouvir ele dizer isso por todo o sempre enquanto eu viver... que ele era contra... que eu não quis ouvir... que eu preferi escutar outras opiniões... e etc, etc, etc...

Assumo: Eu me arrependi de tê-lo colocado tão cedo na escola. Mas, agora ele já está bem adaptado e... vou ter que mudar de escola... ha! (porque a vida é cheia de desafios!)

A saga continua...

Bjos,

VdM

Para ler a 2º parte dessa saga, clique aqui.

Para ler a 3º parte dessa saga, clique aqui.



 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dicas musicais para a difícil tarefa de dar comida, dar banho, escovar os dentes

Quem tem filhos pequenos sabe que tarefas simples como fazê-los escovar os dentes, tomar banho ou a mais básica das necessidades: se alimentar, às vezes, pode se transformar numa guerra homérica. E, muitas vezes, o que se vê são ordens que se transformam em súplicas e, mesmo assim, não são atendidas e experimentamos a potência da resistência infantil. (entendedores, entenderão)

Nessa hora, em que mais precisamos de paciência, ela costuma nos abandonar de forma inversamente proporcional ao tamanho do escândalo. E diz uma regra universal da maternidade que isso sempre vai acontecer quando estamos atrasados e esgotados.

Se sair correndo e gritando, agitando os braços e fazendo sons guturais não é uma opção para você, eu sugiro que cante. E aqui vão algumas dicas musicais para a difícil tarefa de convencer nossos filhos de forma lúdica a comer, escovar os dentes ou tomar banho. Dependendo da disposição, você pode dançar também. (Acredite: ser pai e mãe requer muitas habilidades!)

COMER:

1) As hortaliças são demais - Fizzy - O mestre cuca, do Discovery Kids:



2) Cálcio é bom - Fizzy - O mestre cuca, do Discovery Kids:


Cálcio é bom, nham, nham


ESCOVAR OS DENTES:

1) Rock do dente, Castelo RA TIM BUM




TOMAR BANHO:

1) Banho-Maria, de Chico Cesar e Barbatuques.

P.S: É só substituir "Maria" pelo nome do seu filho(a).

2) O clássico banho do ratinho do Castelo RA TIM BUM:

Gostaram das dicas?

Essas músicas já fazem parte da nossa rotina e, em muitas vezes, elas são a única coisa que funciona. Mas quando nem elas dão jeito, seguimos a vida acreditando no mantra: "É só uma fase. Isso passa!" 

E por aí, quais estratagemas vocês usam para "convencer" os pequenos a fazer o que tem que fazer?

Bjos,

VdM 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ele já sabe se balançar!



O Rafael aprendeu a se balançar sozinho. E, nesse dia, olhou para mim satisfeito por sua conquista. Não disse nada, sorri. Ele também. É mais uma conquista que se soma a tantas outras já alcançadas: sustentar o pescoço, sentar-se, balbuciar as primeiras palavras, engatinhar, andar, falar, etc. Eu sabia que todas essas conquistas aconteceriam, naturalmente. Ele, não. Não sabe do que é capaz e do que será ainda.

Não é uma honra poder contemplar esse instante mágico da transição entre a incerteza do não saber e o momento seguinte em que  se consegue?! Sei que isso fortalece a sua auto-estima. Sei que essa confiança em si mesmo o encoraja para se arriscar em novas conquistas.

Ele se balançava e eu via o balanço no tempo das coisas que a vida leva e traz. Enquanto suas pernas se movem para frente e para trás num movimento coordenado que o impulsionam e o mantém se balançando, sinto uma nostalgia do futuro. Ele vai pra frente. O tempo vai junto. Ele vai pra trás. O tempo  foi. Era como se contemplasse um tic-tac de um relógio da vida que corre depressa de mais. 

"Ele está crescendo..." Meus olhos marejam. Se pudesse, guardava no bolso essas alegrias... Mas guardo no coração seu sorriso contente e sua voz aguda dizendo: "Mamãe, você viu isso?", enquanto gargalha de satisfação.

Eu também balanço, emocionada, e meu coração transborda, vibrando com uma alegria que é quase dor.  "Meu menino esta crescendo..." penso com o coração transbordando.

Bjos,

VdM

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Por que dizemos não chore?



O Rafael, como as demais crianças que conheço, chora escandalosamente, desmedidamente quando está triste, frustrado, cansado ou qualquer outra emoção difícil. Ele não guarda essas emoções, não adia o sofrimento. Mas, logo em seguida, ele sorri singelamente, distrai-se com um brinquedo, oferece um abraço e já não se lembra mais da dor que passou.

Não parece libertador poder expressar nossas emoções e deixá-las fluírem para longe de nós através de lágrimas e gritos? Assim, libertamo-nos delas e podemos sorrir logo depois, como um sol fulgurante que surge, imperioso, após uma intensa e torrencial tempestade.

Há algo de mágico nisso, uma espécie de sabedoria inocente, um segredo de vida feliz que vamos perdendo à medida que crescemos e temos de nos adaptar ao que é aceitável.

Já adultos e conformados a negar ou esconder nossas emoções, dizemos "não fica triste" ou "não chore" para nossos filhos. Mas por que não chorar se é melhor deixar as angústias correrem para fora do coração? Por que não chorar se depois que toda a emoção liquefazer-se em lágrimas, haverá espaço para a alegria, quiçá para a paz.

Ao tentarmos "ensiná-los" a controlar suas emoções, corremos o risco de negá-las ou ensinar-lhes a sufocá-las, a ser meio falsos, a guardar seus rancores para depois, talvez para muito depois, meses ou anos. Entre essa nossa necessidade interior de expressar emoções e o incomodar o mundo, deve haver um caminho equilibrado que não sufoque uns e nem seja por demais impertinente aos outros.

Aqui em casa, quando o tempo e a paciência permitem, tenho feito assim: se estamos em casa, eu apenas o contemplo nessas horas e, no fundo, reconheço que ele pode chorar, que ele deve chorar. Às vezes, o acolho em meu colo. Às vezes, fico apenas ao seu lado esperando que ele chore toda a emoção que tem para chorar. Às vezes, deixo que ele se recupere sozinho sem interferir, como na foto acima. Quando o escândalo acaba, conversamos sobre o que ele sentiu, por que chorou e como podemos resolver isso. E, algumas vezes, não falamos nada. Ele já está bem, já deixou para trás.

Se estamos na rua, eu o ajudo a perceber que o choro estridente incomoda as outras pessoas, esperando que ele aprenda a equilibrar as suas necessidades de expressar emoções com a necessidade de silêncio dos outros. E, assim, perceba que os atos dele exercem algum efeito sobre o mundo e as pessoas que o rodeiam.

Observando o Rafael e sua doce infância, contemplo o segredo de uma vida inteira, que vai se manifestando sem pressa no convívio diário com a riqueza que existe na infância.

Observando-o, percebo que preciso, como ele, libertar-me das emoções difíceis, seja em lágrimas, seja em silêncio. Preciso permitir-me sentir intensamente as dores para que, no minuto seguinte, eu esteja livre e leve como um sorriso de uma criança.

Bjos,

VdM
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