quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Segura a minha mão, filho



Não são raras as vezes que diante das lágrimas infantis não há nada que fazer. E pensando bem, também das lágrimas adultas. Mas, no choro infantil, há uma certa urgência imperiosa. Há uma certa dor mais dolorosa que as nossas dores. Por isso, o sofrimento infantil dói mais que tudo em nós, mães (e pais).

Além disso, tem aquele acordo tácito e implícito que vem junto com a maternidade. (ninguém te contou que mãe tem que ter super poderes capazes de curar qualquer dor?!)

Criança é que nem uma gargalhada gostosa ou um abraço que se demora ou um beijo que lambuza... mas, quando chora, é uma realidade contraditória em si, como um ruído na sinfonia, ou um borrão na obra prima, ou uma nota desafinada na mão do exímio maestro. É tudo que não se encaixa em lugar nenhum.

E esse choro triste escancara a nossa incapacidade em fazer aquilo que, ingenuamente, achamos que poderíamos: proteger sempre os nossos filhos. Não são poucas as vezes que evitar os seus sofrimentos foge às nossas mãos, não faz parte do rol dos nossos superpoderes (muitas de nós trocaríamos os dois dentes da frente por isso). 

Mas, sempre haverá uma queda que arranca os dentes, um joelho esfolado, um coração partido, inúmeras frustrações da vida... sempre haverá... novos ou velhos sofrimentos...

Quando me dei conta disso, em todas as inúmeras vezes em que não pude fazer nada para evitar o choro e o sofrimento, ou a frustração, segurei sua mão. Assim, meio que dizendo, meio que querendo que ele percebesse que eu estava lá. E se a dor persistisse, ainda assim, a minha mão insistiria em se manter junto, pressionando-o de leve.

E, olhando a sua pequena mão quente e redonda, apertada junto a minha, eu notei que, misteriosamente, era você que a segurava para me confortar: de tudo mais que eu era incapaz.

"Segura a minha mão, filho".

Bjos,

VdM

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Natal e o paradoxo do meu Papai Noel...

 
 
Acho que nunca tive toda aquela fantasia em torno do Papai Noel, mas eu tenho duas recordações sobre presentes de Natal que marcaram a minha infância. Uma delas foi quando eu tinha uns quatro anos e “apareceu” um brinquedo chamado “Vire a mesa” na minha casa (é esse brinquedo da foto), supostamente trazido pelo Papai Noel. Eu lembro que fiquei muito impressionada por aquela mágica surpresa.
 

 
A outra foi quando, já com uns 10 ou 11 anos, no Natal da minha família de coração (os Gonçalves: 9 irmãos e inúmeros sobrinhos da esposa do meu pai), eu fiquei encantada porque cada tio era um papai Noel (sem fantasia) com um saco grande de presentes para cada um dos sobrinhos (que eram muitos). Quando os vi cheio de presentes, fiquei levemente triste porque eu não receberia nenhum, afinal, eu não era da família. Mas, embora eu não fosse sobrinha de fato, eu e meu irmão tínhamos sidos acolhidos de coração e também ganhamos vários presentes. Isso me impressionou muito, sobretudo porque na minha família mesmo, eu nunca tinha recebido presentes de Natal dos meus tios. Nesse dia, descobri o quanto é bom ser amada gratuitamente e sinto muita gratidão por isso.
Depois desse dia, decidi que quando eu crescesse e trabalhasse ($), eu sempre compraria presentes para os meus sobrinhos e afilhados no Natal. Eu queria que eles sentissem essa gratidão que aprendi a sentir naquele dia. Não pelos presentes, mas pelo carinho. E, desde que comecei a trabalhar, presenteio todas as crianças presentes na nossa ceia. E, dessa forma, sinto que agradeço à Deus que cumula minha vida de bênçãos e presentes vindos de onde menos espero, como naquele dia e em muitos outros.

E, depois que o Rafael nasceu, essa tradição tem se fortalecido ainda mais porque quero que ele tenha boas lembranças do Natal. Nos últimos anos, o Nego tem se fantasiado de papai Noel e faz um teatro muito engraçado na hora de entregar os presentes. É hilário e muito divertido.

Aí é que vem o paradoxo do meu Papai Noel: eu gosto muito de toda essa brincadeira, mas eu sou radicalmente contra a substituição do verdadeiro significado do Natal (que é a celebração do nascimento de Jesus Cristo) por esses símbolos comercias que o Papai Noel e a Àrvore de Natal representam.

Além disso, não gosto da ideia de enganar crianças com a invenção de personagens como fada do dente, coelhinho da páscoa e afins ou qualquer outro tipo de mentira. Mas tenho me deixado levar pelo tanto que eu me divirto e gosto dessa tradição natalícia que fazemos. Não fico estimulando toda essa história de velhinho de barba branca e renas, com cartinhas ou botas na janela, mas não resisto a convencer o Nego a se fantasiar e fazer toda a encenação.

Tenho deixado essa contradição meio adormecida há algum tempo até que me deparei com esse texto aqui, do Gabriel Salomão, que apresenta uma visão muito interessante, e com a qual concordei muito, sobre a diferença entre fantasia e imaginação. No artigo, ele diz que “Imaginação é aquilo que surge da inteligência e que ultrapassa os limites da realidade conhecida. Fantasia, por outro lado, é a imposição de uma falsidade no plano da realidade, algo que violenta os limites da realidade conhecida de forma a fazer a criança acreditar que a realidade é diferente do que é.”

Depois de ler esse artigo, e agora que o Natal está chegando, voltei a refletir sobre isso.

Por isso, neste Natal, com certeza haverá presentes, mas não sei se haverá Papai Noel.

E vocês, o que acham? O papai Noel deve ou não sair de cena?

Bjos,

VdM
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