segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Natal e o paradoxo do meu Papai Noel...

 
 
Acho que nunca tive toda aquela fantasia em torno do Papai Noel, mas eu tenho duas recordações sobre presentes de Natal que marcaram a minha infância. Uma delas foi quando eu tinha uns quatro anos e “apareceu” um brinquedo chamado “Vire a mesa” na minha casa (é esse brinquedo da foto), supostamente trazido pelo Papai Noel. Eu lembro que fiquei muito impressionada por aquela mágica surpresa.
 

 
A outra foi quando, já com uns 10 ou 11 anos, no Natal da minha família de coração (os Gonçalves: 9 irmãos e inúmeros sobrinhos da esposa do meu pai), eu fiquei encantada porque cada tio era um papai Noel (sem fantasia) com um saco grande de presentes para cada um dos sobrinhos (que eram muitos). Quando os vi cheio de presentes, fiquei levemente triste porque eu não receberia nenhum, afinal, eu não era da família. Mas, embora eu não fosse sobrinha de fato, eu e meu irmão tínhamos sidos acolhidos de coração e também ganhamos vários presentes. Isso me impressionou muito, sobretudo porque na minha família mesmo, eu nunca tinha recebido presentes de Natal dos meus tios. Nesse dia, descobri o quanto é bom ser amada gratuitamente e sinto muita gratidão por isso.
Depois desse dia, decidi que quando eu crescesse e trabalhasse ($), eu sempre compraria presentes para os meus sobrinhos e afilhados no Natal. Eu queria que eles sentissem essa gratidão que aprendi a sentir naquele dia. Não pelos presentes, mas pelo carinho. E, desde que comecei a trabalhar, presenteio todas as crianças presentes na nossa ceia. E, dessa forma, sinto que agradeço à Deus que cumula minha vida de bênçãos e presentes vindos de onde menos espero, como naquele dia e em muitos outros.

E, depois que o Rafael nasceu, essa tradição tem se fortalecido ainda mais porque quero que ele tenha boas lembranças do Natal. Nos últimos anos, o Nego tem se fantasiado de papai Noel e faz um teatro muito engraçado na hora de entregar os presentes. É hilário e muito divertido.

Aí é que vem o paradoxo do meu Papai Noel: eu gosto muito de toda essa brincadeira, mas eu sou radicalmente contra a substituição do verdadeiro significado do Natal (que é a celebração do nascimento de Jesus Cristo) por esses símbolos comercias que o Papai Noel e a Àrvore de Natal representam.

Além disso, não gosto da ideia de enganar crianças com a invenção de personagens como fada do dente, coelhinho da páscoa e afins ou qualquer outro tipo de mentira. Mas tenho me deixado levar pelo tanto que eu me divirto e gosto dessa tradição natalícia que fazemos. Não fico estimulando toda essa história de velhinho de barba branca e renas, com cartinhas ou botas na janela, mas não resisto a convencer o Nego a se fantasiar e fazer toda a encenação.

Tenho deixado essa contradição meio adormecida há algum tempo até que me deparei com esse texto aqui, do Gabriel Salomão, que apresenta uma visão muito interessante, e com a qual concordei muito, sobre a diferença entre fantasia e imaginação. No artigo, ele diz que “Imaginação é aquilo que surge da inteligência e que ultrapassa os limites da realidade conhecida. Fantasia, por outro lado, é a imposição de uma falsidade no plano da realidade, algo que violenta os limites da realidade conhecida de forma a fazer a criança acreditar que a realidade é diferente do que é.”

Depois de ler esse artigo, e agora que o Natal está chegando, voltei a refletir sobre isso.

Por isso, neste Natal, com certeza haverá presentes, mas não sei se haverá Papai Noel.

E vocês, o que acham? O papai Noel deve ou não sair de cena?

Bjos,

VdM

4 comentários:

  1. olha meu bebe tem apenas 3 meses, então não sei como farei no Natal, mas nãotenho o costume de montar árvore e etc, acredito q serei assim como você

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    1. Oi,
      Aqui em casa, nós não montamos a árvore, mas faço questão de montar o presépio junto com o pequeno contando a história e os personagens porque somos cristãos... se você for cristã também, é uma boa sugestão mesmo para bebês de três meses. Aposto que ela ou ele vai querer pegar as pecinhas e brincar. Aqui em casa, foi o maior sucesso!
      Muito obrigada pela visita,
      Bjos,
      Jaque

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  2. Oi Jaqueline! Descobri seu blog por acaso (um clique que leva a outro) e estou curtindo bastante. Tb tenho muitas dúvidas comigo mesma sobre o Papai Noel e o Natal em si com a minha filha de 3 anos. Apesar de sermos ateus/agnósticos, concordo contigo, ninguém se importa com o que teria originado a comemoração, nessa época só se vê consumismo desenfreado, e isso me irrita muito! Mas a gente sabe que tem o Papai Noel da escolinha, as luzes do shopping, da praça decorada e por aí vai e isso me confunde um pouco, não sei até onde é legal incentivar a fantasia. A Laís ainda não pergunta nada sobre o Natal, por enquanto meu plano é explicar que Papai Noel é um personagem tanto quanto o palhaço, a Peppa Pig, etc. e que na verdade quem dá os presentes são as pessoas. A ideia é levá-la pra doar algumas coisas às crianças que não ganham nada... mas isso só vou testar quando ela entender melhor tudo isso.. Como é difícil criar eles fora da suposta "normalidade", né! Seria tão mais fácil incentivar a cartinha, os pedidos e sair comprando loucamente a boneca de R$ 400,00 que em uma semana ela nem vai querer mais, hahaha!
    Parabéns pelo blog, a Laís tb tem um, se quiser conhecer! olhosamendoados.blogspot.com

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    1. Oi Caroline e Gabriel,
      Que bom que você está curtindo o blog. Eu escrevo com muito carinho e depoimentos como o seu me incentivam a continuar...
      Além dessa coisa de consumismo que me incomoda muito, o que mais me deixa desconfortável com essa história de papai Noel é o ponto de falsear a realidade, muito bem explicado pelo Gabriel Salomão no texto que eu citei no post. Você chegou a ler? É um texto muito esclarecedor e com o qual concordo muito.
      Com certeza vou visitar o blog de vocês.
      Um grande abraço,
      Jaqueline

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