quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Segura a minha mão, filho



Não são raras as vezes que diante das lágrimas infantis não há nada que fazer. E pensando bem, também das lágrimas adultas. Mas, no choro infantil, há uma certa urgência imperiosa. Há uma certa dor mais dolorosa que as nossas dores. Por isso, o sofrimento infantil dói mais que tudo em nós, mães (e pais).

Além disso, tem aquele acordo tácito e implícito que vem junto com a maternidade. (ninguém te contou que mãe tem que ter super poderes capazes de curar qualquer dor?!)

Criança é que nem uma gargalhada gostosa ou um abraço que se demora ou um beijo que lambuza... mas, quando chora, é uma realidade contraditória em si, como um ruído na sinfonia, ou um borrão na obra prima, ou uma nota desafinada na mão do exímio maestro. É tudo que não se encaixa em lugar nenhum.

E esse choro triste escancara a nossa incapacidade em fazer aquilo que, ingenuamente, achamos que poderíamos: proteger sempre os nossos filhos. Não são poucas as vezes que evitar os seus sofrimentos foge às nossas mãos, não faz parte do rol dos nossos superpoderes (muitas de nós trocaríamos os dois dentes da frente por isso). 

Mas, sempre haverá uma queda que arranca os dentes, um joelho esfolado, um coração partido, inúmeras frustrações da vida... sempre haverá... novos ou velhos sofrimentos...

Quando me dei conta disso, em todas as inúmeras vezes em que não pude fazer nada para evitar o choro e o sofrimento, ou a frustração, segurei sua mão. Assim, meio que dizendo, meio que querendo que ele percebesse que eu estava lá. E se a dor persistisse, ainda assim, a minha mão insistiria em se manter junto, pressionando-o de leve.

E, olhando a sua pequena mão quente e redonda, apertada junto a minha, eu notei que, misteriosamente, era você que a segurava para me confortar: de tudo mais que eu era incapaz.

"Segura a minha mão, filho".

Bjos,

VdM

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